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Publicado em 21/03/2018

O computador de quase R$ 100 mil

O que explica o preço do iMac Pro, o equipamento mais potente da história da Apple, que começou a ser vendido no Brasil.

Fonte: IstoÉ Dinheiro

O computador de quase R$ 100 mil

A maioria dos computadores vendidos no mercado brasileiro não custa mais de R$ 5 mil. Mas a Apple elevou esse preço para algo muito distante, mas muito mesmo, desse patamar. No começo de março, a companhia da maçã começou a vender no mercado brasileiro o iMac Pro, seu equipamento mais potente. E o valor é quase inacreditável: R$ 96.398, considerando a configuração mais avançada. Com esse dinheiro, você poderia comprar um Corolla GLI, da Toyota, ou levar para casa 23 notebooks para games da Dell.

Nos Estados Unidos, o produto sai por US$ 13.348, o equivalente a R$ 43.781. Portanto, a metade do preço que é o cobrado no Brasil. O que explica essa diferença exorbitante? A resposta não foge da velha desculpa da alta carga tributária brasileira. No caso de computadores não fabricados por aqui, é preciso pagar 16% de imposto de importação. Além disso, incidem sobre o equipamento 2,1% de PIS e 9,65% de Cofins. Nesta conta ainda entram 15% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e, depois, a alíquota estadual do ICMS que, no caso de São Paulo, é de 18%. Só de impostos, o preço sobre para R$ 78 mil, segundo cálculos feitos pelo professor Fábio Pereira da Silva, coordenador de Gestão Tributária da Faculdade Fipecafi, feito a pedido da DINHEIRO. “Essas altas taxas se explicam pelo fato de o governo querer proteger a indústria interna.” 

Os impostos não são o único vilão do iMac de quase R$ 100 mil.“Existem vários fatores que compõem esse preço”, afirma João Eloi, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação. “São custos logísticos, que envolvem o transporte do produto do exterior para o Brasil até o momento em que ele é vendido em uma loja brasileira.” Esses gastos incluem as tarifas para o desembaraço aduaneiro dos portos, os custos para transportar os produtos com segurança, o pagamento de royalties para a exploração da marca estrangeira e os encargos trabalhistas com a mão-de-obra contratada pelas lojas. E, claro, a margem de lucro da empresa. No caso da Apple, que é considerada uma marca premium, ela geralmente é alta. Procurada, a empresa não quis comentar. 

Essa não é a primeira vez que um aparelho eletrônico importado chega ao País com preços bem acima dos praticados no exterior. Em novembro de 2013, o console de videogame PlayStation 4 desembarcou por aqui custando R$ 4 mil, contra US$ 400 nos EUA. Na época, com o dólar em R$ 2,16, a Sony afirmou que R$ 2.524 do valor eram compostos por impostos como IPI, imposto de importação, PIS e Cofins. Outros R$ 858 eram gastos com o transporte de cada aparelho para o Brasil. Havia ainda a margem de lucro das varejistas e da Sony. No fim, a conta fechava em R$ 4.257, valor que era ainda maior do que o das prateleiras. Um caso mais recente foi do iPhone X, que é vendido por US$ 1 mil na América do Norte e por R$ 7 mil aqui.

O iMac Pro é um computador voltado para o trabalho. Ele tem alguns recursos que o tornam quase único. Por exemplo, a resolução de sua tela é de 5K, que garante uma nitidez cinco vezes superior a de monitores de alta definição. O armazenamento é de 4 terabytes. Com esse espaço, seria possível armazenar 4 mil filmes de até duas horas. Além disso, a tecnologia é de SSD, que garante um processamento visual muito mais rápido. Por fim, sua memória é de 128 GB. Um PC normal, usado pela maioria dos brasileiros, tem entre 4 GB e 8 GB.